Tinha eu 6 anos. Estamos numa escola numa freguesia do norte ainda com telhas de amianto. A vida é boa. Só tenho dois grandes problemas: um medo incompreensível de sapos e um bully chamado Mota. O Mota não era um génio do mal a fazer planos maquiavélicos. Não me vou meter aqui com rodeios: era burro como uma porta. Apercebeu cedo que era mais alto do que a média e decidiu girar a sua personalidade inteira à volta disso. Dava-me porrada todos os intervalos. Odiava aquele gajo. Se já foram vítimas de bullying, sabem que há uma coisa que normalmente não é considerada: a qualidade dos insultos. Porque nem todos os insultos são iguais. Há uma diferença enorme entre chamarem-te "gordo" e "buraco negro de chocapics". Portanto, o sofrimento de uma jovem vítima pode ser redobrado quando o bully é pouco original. Não há uma nuancezinha, ou um vislumbre de inteligência do gajo que te está a dar cabo da cabeça. Com muita tristeza minha, o Mota não era um bully com qualidade. ...
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